LIVRO: Identidade, branquitude e negritude – contribuições para a psicologia social no Brasil: novos ensaios, relatos de experiência e de pesquisa

CEERT lança a coletânea “Identidade, branquitude e negritude – contribuições para a psicologia social no Brasil: novos ensaios, relatos de experiência e de pesquisa”

O racismo institucional, a pertença religiosa, a literatura, os processos de exclusão de crianças e adolescentes quilombolas e a complexidade do corpo negro são temas tratados nesta publicação de forma articulada, com a dimensão identitária das relações raciais, por diferentes autoras e autores, por meio de relatos de experiências profissionais, estudos teóricos e ensaio.

O objetivo é focalizar a complexidade da identidade racial de brancos e negros, afetada diretamente pelo sistema de relações raciais vigente, em que a desigualdade e a exclusão racial são agudas, e brancos e negros são colocados em lugares simbólicos e concretos extremamente diferentes, não raro antagônicos, muitas vezes vendo a si próprios e ao outro de maneira distorcida, o que favorece o tensionamento entre os grupos, bem como a permanência do quadro das desigualdades.

A compreensão da dimensão subjetiva e de seus meandros pode propiciar uma leitura mais profunda do contexto racial em que estão inseridos os diferentes grupos, criando condições para a construção de uma sociedade mais igualitária e democrática.

Maria Aparecida da Silva Bento

Fonte : CEERT

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Índios e quilombolas capixabas podem perder terras já homologadas em Aracruz

INDIOS ARACRUZ5 de fevereiro de 2015.
Ubervalter Coimbra, Século Diário

A bancada ruralista já conta com o apoio do novo presidente da Câmara dos Deputados para desarquivar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 215), requerida nessa terça-feira (4). Segundo Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ele é obrigado pelo regimento da Casa a acatar o requerimento automaticamente. Aprovada, transfere para o Poder Legislativo o poder de demarcar as terras indígenas e quilombolas.
A bancada ruralista quer aprovar projetos que suspendam e restrinjam vários direitos indígenas. No caso da PEC 215, depois de o projeto ser desarquivado, será necessário recriar a comissão especial que vai analisá-la e assegurar sua transformação.
Na agenda da bancada ruralista, uma série de outras providências contra os índios. Como a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Fundação Nacional do Índio (Funai). E a aplicação da Portaria 303/2012 da Advocacia-Geral de União (AGU), atualmente suspensa e que restringe vários dos direitos indígenas.
Outra manobra dos parlamentares ruralistas é a aprovação do Projeto de Lei (PL) 7.735/2014, que regula o acesso aos recursos genéticos associados à biodiversidade. A votação do projeto foi marcada para a próxima segunda (9).
Os índios entendem que o desarquivamento da PEC 215 é um ato de guerra contra eles. A PEC 215 transfere a decisão final sobre a demarcação de terras indígenas no Brasil para o Congresso Nacional. Abre ainda prerrogativa para que os processos de demarcação já finalizados sejam revistos. E é uma ameaça também para territórios quilombolas e unidades de conservação.
No Espírito Santo, a PEC 215 ameaça a existência dos territórios indígenas demarcados das etnias Guarani e Tupinikim, em Aracruz (norte do Estado).
Os índios, após décadas de luta, conseguiram retomar da Aracruz Celulose (Fibria) 18.027 hectares, de um total usurpado de 40 mil hectares dos índios. A terra retomada está degradada pela exploração intensiva com plantios de eucalipto. Agora, com o desarquivamento da PEC 215, os índios poderão perder tudo o que reconquistaram.
Também os quilombolas, que lutam por retomar suas terras no Espírito Santo, principalmente no antigo território de Sapê do Norte, hoje municípios de Conceição da Barra e São Mateus, vão ser prejudicados com a PEC 215. Os descendentes dos escravos negros também perderam suas terras para a Aracruz Celulose (Fibria) e para fazendeiros e lutam para retomá-las.